Retinol, Retinal e Bakuchiol: qual escolher?

Tudo o que você precisa saber antes de comprar.

#The Derm Files


Todo mundo já ouviu falar de retinol. Mas você sabe o que é retinal? E o que é bakuchiol — aquele ingrediente que ganhou destaque recentemente?

Neste primeiro The Derm Files, vou te explicar a diferença entre os três, o que a ciência diz sobre cada um e — mais importante — qual faz sentido para você.


O que é o retinol e por que ele funciona?

O retinol é um derivado da vitamina A e é considerado o padrão ouro do antiaging há décadas. Mas por que ele funciona de verdade?

Quando você aplica retinol na pele, ele precisa passar por duas conversões dentro do organismo. Primeiro vira retinal, depois vira ácido retinoico — que é a forma biologicamente ativa, a que realmente age nas células. É o ácido retinoico que se liga aos receptores nucleares da pele e ativa os genes responsáveis pela renovação celular e pela produção de colágeno. Em termos simples: o retinol manda a pele trabalhar mais rápido — renovar células, produzir mais colágeno, reparar o que o tempo e o sol foram danificando.

O resultado? Menos rugas finas, menos manchas, textura mais uniforme e pele com aspecto mais jovem. Com décadas de estudos clínicos comprovando sua eficácia, o retinol continua sendo o ingrediente antiaging mais bem documentado da dermatologia.

O porém é real: essa mesma atividade intensa pode causar irritação, vermelhidão e descamação — especialmente no início do uso. E por aumentar a sensibilidade ao sol, exige protetor solar rigoroso todos os dias, sem exceção.

Sobre a gestação — o retinol apresentou potencial risco em estudos com animais. Por precaução, a orientação é evitar durante toda a gestação e amamentação. Essa recomendação vale tanto para o retinol quanto para todos os retinoides, incluindo o retinal.

Retinal — um passo à frente

O retinal — ou retinaldeído — é exatamente o intermediário que fica entre o retinol e o ácido retinoico na cadeia de conversão da vitamina A. Como ele precisa de apenas uma etapa para virar a forma ativa, age mais rápido e de forma mais eficiente do que o retinol. Na prática, isso significa resultados mais rápidos, com potência maior e — surpreendentemente — com menos irritação do que o retinol em concentrações equivalentes.

É um ingrediente que ganhou espaço nos produtos de skincare premium nos últimos anos — e com razão. Para quem já usou retinol e quer um próximo passo, ou para quem quer potência com melhor tolerância, o retinal é uma evolução consistente com a ciência.

E o Bakuchiol?

O bakuchiol vem das sementes da planta Psoralea corylifolia e é usado há séculos na medicina tradicional indiana e chinesa, mas foi só recentemente que a ciência ocidental começou a estudá-lo com seriedade — e o que encontrou foi surpreendente.

Apesar de não ter nenhuma semelhança estrutural com o retinol, o bakuchiol age de forma surpreendentemente parecida — estimulando o colágeno e renovando a pele pelos mesmos caminhos, mas com muito menos irritação. Pode ser usado até duas vezes ao dia, e não apresenta a restrição gestacional dos retinoide. Os estudos disponíveis não mostraram toxicidade e ele é considerado uma opção mais segura para esse período.

(E já que o assunto é gestação: sempre confirme com seu médico antes de iniciar qualquer ativo nessa fase. Cada pele, cada gravidez e cada momento são únicos — e o seu dermatologista é quem melhor conhece a sua história. 🤍)

O porém honesto: a ciência do bakuchiol ainda é jovem quando comparada à do retinol, que tem décadas de pesquisa clínica. Ele funciona — os estudos mostram isso — mas ainda estamos aprendendo o quanto e por quanto tempo.


Nenhum dos três é milagre. Todos precisam de consistência, paciência e – sem exceção – protetor solar todos os dias.

Agora que você já entende como cada um funciona, fica muito mais fácil ter uma conversa com seu dermatologista sobre qual faz mais sentido para a sua pele, a sua rotina e o seu momento de vida. Porque skincare bom começa com informação – e termina com uma avaliação de quem conhece a sua pele de verdade.


📚 Para os curiosos de plantão

Este conteúdo foi escrito com base em estudos publicados em revistas científicas de dermatologia:

  1. Kong R. et al. Human Skin Aging and the Anti-Aging Properties of Retinol. Biomolecules, 2023.
  2. Farris P. et al. Efficacy and Tolerability of Topical 0.1% Stabilized Bioactive Retinol for Photoaging. Journal of Drugs in Dermatology, 2024.
  3. Quan T. et al. Molecular basis of retinol anti-ageing properties in naturally aged human skin in vivo. British Journal of Dermatology, 2016.
  4. Brown A. et al. Natural Retinol Analogs Potentiate the Effects of Retinal on Aged and Photodamaged Skin. Dermatology and Therapy, 2023.
  5. Chaudhuri RK, Bojanowski K. Bakuchiol: a retinol-like functional compound. PubMed, 2014.
  6. Dhaliwal S. et al. Prospective, randomized, double-blind assessment of topical bakuchiol and retinol. British Journal of Dermatology, 2019.
  7. Bluemke A. et al. Multidirectional activity of bakuchiol against cellular mechanisms of facial ageing. PMC, 2022.

⚠️ Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. Consulte um dermatologista.

— Dra. Ana Carolina Madia | CRM-SP 182.593 | RQE 120.682