Adapaleno: o retinoide que todo mundo usa.

The Derm Files # 3.

É cada vez mais comum. A paciente chega ao consultório com a pele descamando, sensibilizada e, às vezes, ardendo. Na bolsa, a caixa de adapaleno recém-comprada na farmácia.

“Achei que fosse alergia.”

Na maioria das vezes, não é alergia. É apenas uma introdução inadequada.


O adapaleno é um retinoide sintético de terceira geração. Seu principal diferencial está na seletividade: atua de maneira mais direcionada nos receptores cutâneos envolvidos na acne, o que lhe confere um perfil de tolerabilidade geralmente melhor do que o de retinoides mais clássicos.

Outro ponto importante é sua estabilidade. Diferentemente de alguns retinoides, mantém atividade mesmo na presença de luz e oxigênio.

Sua principal indicação é o tratamento da acne comedônica e inflamatória. Estudos também sugerem benefício complementar na melhora da textura cutânea e na aparência de cicatrizes de acne. Em algumas situações, pode integrar protocolos voltados ao fotoenvelhecimento, especialmente quando se busca melhor tolerabilidade.

O problema, na prática, raramente está no adapaleno em si.

Na maior parte das vezes, está na tentativa de fazer demais, cedo demais.

Introduções abruptas, associação com múltiplos ativos potencialmente irritantes e interrupção precoce durante a fase inicial de adaptação são alguns dos motivos mais frequentes para descamação, vermelhidão e sensibilidade.

E, nesse cenário, um medicamento que poderia trazer benefício acaba sendo abandonado antes de mostrar resultado.

A integridade da barreira cutânea tem papel central nesse processo. Quando ela está comprometida, a tolerância diminui e a chance de irritação aumenta.


Embora o adapaleno esteja disponível com facilidade nas farmácias, continua sendo um medicamento.

E isso faz diferença.

A concentração, o momento de introdução e a forma como ele se encaixa na rotina devem ser avaliados de maneira individualizada.

O adapaleno é uma ferramenta terapêutica valiosa.

Como toda ferramenta, o resultado depende menos do acesso e mais da forma como é utilizado.


Dra. Ana Carolina Madia
Dermatologia Clínica & Tricologia
CRM-SP 182.593 | RQE 120.682

⚠️ Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e não substitui avaliação médica individualizada.

Referências:

  • Cunliffe WJ et al. A comparison of the efficacy and tolerability of adapalene 0.1% gel versus tretinoin 0.025% gel. Br J Dermatol. 1998;139(Suppl 52):48–56.
  • Shalita A et al. A comparison of the efficacy and safety of adapalene gel 0.1% and tretinoin gel 0.025%. J Am Acad Dermatol. 1996;34(3):482–485.
  • Tolaymat L et al. Adapalene. StatPearls. 2024.